Resenha: Representações da Deficiência e identidade w Estigma no Contexto Escolar
Representações Sociais da Deficiência e Identidade e Estigma no Contexto da Escola Inclusiva.
Cursista: Maria Madalena Leite
Para compreender a origem do conceito moderno de estigma, sua aplicação e a dinamicidade com que é empregado nos diferentes contextos social segundo Goffman, são desvendadas as nuances desse conceito que parece ser o opositor direto do lema que impregnou a sociedade contemporânea e suas diversas instituições encarregadas de propagar, legitimar e reforçar o discurso da aceitação das diferenças. Nas dinâmicas das representações sociais, quando mantemos contato com um individuo, formulamos hipóteses a respeito do seu caráter, da sua conduta, das suas preferências.
Nesse contexto a representação em torno da deficiência mental deve ser construída dentro de um contexto histórico, social e cultural, não existe uma representação social própria para o deficiente. Pois é o meio que faz com que essa pessoa com deficiência crie suas próprias representações. Entende-se como representação o conjunto de idéias, conhecimentos, valores que tem origem na vida cotidiana e do senso comum e é este conjunto que orienta o pensamento prático, a comunicação, compreensão, as relações e as atitudes humanas em um determinado grupo. Sabe-se que as sociedades possuem normas e valores que definem os atributos aceitáveis em seus membros constituindo, assim, o controle social e esta possibilidade de categorizar facilitam a interação social e cria expectativas acerca da identidade dos indivíduos. Goffman (1988) compreende identidade como produto social, ou seja, não pode ser concebido através de atributos essenciais, mas unicamente ocasional e a alerta é que “não é para o diferente e na diferença que se deve olhar, mas sim para o comum”.
Observando um modelo de representação baseada na semelhança, conforme Durkhein. Essa sociedade baseava-se na semelhança e nas formas de pensar, viver, e são diferenciadas e heterogêneas, e sofrem interferências de grupos, status sociais, classe humanas e étnicas. Assim, o mundo primitivo organizado cada qual da sua forma, apresentam diferentes representações da pessoa com deficiência, de acordo com sua maneira de pensar e agir. Além de todas estas representações que permearam a história da educação, outra concepção de ser humano ainda pode ter influenciado na representação social do deficiente, que é a visão Marxista que previa uma sociedade que vivia a margem da sociedade, discriminadas a viver uma vida indigna, para uma concepção de ser humano com direitos igualitário promovidos pela solidariedade humana. Questionamos assim que as pessoas com deficiência sempre lidou com a manipulação de sua identidade, tanto na família na escola e em outros espaços sociais.
Goffman (1988, p.116) apresenta o conceito de identidade do Eu que se relaciona a forma como as pessoas estigmatizada e lida com o estigma, e uma, questão subjetiva e reflexiva que deve necessariamente ser experimentada pelo indivíduo cuja identidade esta em jogo, questionando assim , quando um indivíduo apresenta atitudes que o faz ser diferente de outras pessoas, ela esta sendo julgada diante de um estigma. Nesse contexto Goffman contribui de maneira profícua nas pesquisas entre identidade e práticas de educação inclusiva. Ele não “vitimiza” a pessoa considerada deficiente, mas cria um diálogo entre prática social e cultural desenvolvido tanto por estigmatizados e por não estigmatizados.
Na vida escolar de Carlos nota se como o processo de rotulação/estigmatização foi marcante em sua vida escolar, segundo as falam das professoras, sendo julgado por seus atributos “negativos”. Entretanto na realidade nos deparamos com um aluno marcado pelas diferenças sociais, intelectuais e vemos que ainda de forma errônea, esta prática está enraizada em nossa prática escolar, notando assim que, algumas identidades são “aceitáveis”, outras sofrem “sanções”.
Busca, com essa concepção, um discurso que vai além de uma igualdade educacional em que o sujeito seja aceito e compreendido dentro de uma pluralidade etnocultural, para tanto, a escola e os recursos humanos deverão adotar uma prática reflexiva e cultural comprometida, defendendo a construção de um currículo que desafie o discurso evidenciadores das diferenças e dos preconceitos, promovendo uma atuação que contemple a diversidade humana.
A inclusão tem sido uma conquista, a escola deve construir um espaço para o individuo adquirir um saber que lhe permita reconhecer seus direitos, exigir sua aplicação e compreender a necessidade de exercer-lo sem uma segregação como na educação contemporânea.

Do Melhor
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